sábado, 24 de junho de 2017

Portugueses, chineses e tomarenses

Onde deve ficar a estátua de D. Gualdim Pais? Já votou aqui do lado direito?

A notícia é de ontem e pode ser lida aqui. Uma grua-torre de grandes dimensões caiu, na Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa, provocando dois feridos graves. Um dos feridos é um cliente do hotel que foi atingido pela grua. Ignoram-se as causas do acidente, que não é assim muito raro em Portugal.



Queda de grua deixa trânsito cortado há mais de 12 horas no centro de Lisboa

Por razões que devem existir, mas me escapam, decerto porque não integro o honrado universo da construção civil, em Portugal e em Tomar rara é a obra, por muito pequena que seja, onde não haja uma grua-torre. Daquelas tipo quanto maior melhor. É uma situação que me parece estranha, sobretudo após o que tenho visto por esse Mundo fora.
Na China, por exemplo, alguma sinalização horizontal nas estradas é feita com cacos de porcelana embebidos no asfalto, conforme mostra esta foto:


Contudo, apesar de tal actividade manifestamente artesanal e por isso ultrapassada, os mesmos chineses edificam prédios com dezenas de andares, usando apenas andaimes de bambú e plataformas elevatórias:


Porquê então tanta grua-torre em Portugal? Que responda quem souber. Por agora, o que me preocupa é a gigantesca grua-torre, instalada mesmo ao lado dos Paços do Concelho, cuja lança ou braço ultrapassa largamente os limites da obra, invadindo o espaço aéreo de vários prédios, incluindo um do outro lado da Rua Joaquim Jacinto. Isto só para reconstruir um imóvel com apenas dois pisos acima da cota de soleira. Se calha a ser um arranha-céus, imagina-se o aparato do material necessário:




O meu ponto é este. Dos construtores civis não espero grandes rasgos, sabido como é que se trata de honrados cidadãos, porém em geral com cultura apenas mediana. Mas os senhores técnicos municipais, que têm formação superior, cultura e muita competência, porque autorizaram semelhante barbaridade? Com que fundamentação técnica? Oxalá que não; mas se um dia destes a grua cai, causando feridos e outros prejuízos, de quem será a culpa? Minha, por ter falado no assunto?
Deixem-se portanto de atitudes mais próprias de labregos e procedam de forma a que a grua seja retirada quanto antes. Por ser manifestamente apenas para impressionar o dono da obra. Um modesto guincho de tripé faz o mesmo trabalho. Mas é muito menos espalhafatoso, espectacular, como se diz agora. Lá isso é verdade!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Onde deve ficar a estátua de D. Gualdim Pais?

Nos anos 60 do século passado, a Câmara resolveu que a estátua do fundador da cidade, nessa altura como agora situada no meio da Praça da República, de costas voltadas para os Paços do Concelho, devia ser mudada para o terreiro frente ao Castelo dos Templários. Com o fundamento de que aquele mestre templário fundou o castelo e não a vila de baixo. Na sequência dessa deliberação, aquando da construção do parque de estacionamento na então Cerrada dos Cães, agora Terreiro D. Gualdim Pais, foi deixado um espaço para o monumento ao fundador (ver fotos). Situação que se mantém após as desastradas obras paivinas, que dizimaram as pinheiras então existentes e parte do alambor templário.



Se um dia o nosso Gualdim vier ocupar o seu lugar aqui, a olhar para o seu castelo, até pode acontecer que a autarquia comece finalmente a cuidar do jardim, uma vez que além dos impostos também cobra o estacionamento.

Por diversas razões, entre as quais a oposição de alguns dos descendentes daqueles tomarenses que fizeram donativos para o referido monumento, erguido por subscrição pública, D. Gualdim continua no meio da Praça. Com a  vantagem brincalhona do seu perfil, mas também e sobretudo com o inconveniente de dificultar qualquer espectáculo de envergadura na principal praça da urbe. Mesmo durante o levantar dos tabuleiros estorva nitidamente, ao cortar muitas perspectivas a quantos não podem aceder à janelas dos Paços do Concelho, nem à tribuna dos ilustres convidados.
Tendo em conta o que antecede, nomeadamente o caso da estátua de Rodrigues Lobo em Leiria (ver fotos), qual a sua opinião? Deixar estar como está? Mudar? Para onde?
Vote na sondagem aqui ao lado.



Imagem relacionada

Muito preocupante

A notícia a seguir traduzida refere-se à guerra no Iraque, lá longe portanto. Mas leia-a com atenção. Parece-me muito preocupante para os tomarenses que querem o seu património edificado devidamente protegido. porque é de todos.

"A grande mesquita AL-Nouri, em Mossul, Iraque, foi destruída pelos terroristas do Estado islâmico

Foi nessa mesquita que o chefe da organização jiadista, Abou Bakr Al-Baghdadi, proclamou em Julho de 2014 o "califado" em todas as zonas controladas pelos seus combatentes no Iraque e na Síria.

É mais um símbolo que acaba em pó. A grande mesquita Al-Nouri e o seu minarete inclinado foram destruídos ontem, 21 de Junho. Segundo informações do exército iraquiano aquele conjunto foi destruído com explosivos pelos jiadistas da organização terrorista Estado islâmico. "As nossas forças avançavam...na cidade antiga. Quando chegaram a 50 metros da mesquita Al-Nouri, o DAECH, organização Estado islâmico, cometeu mais um crime histórico, explodindo a mesquita e Al-Hadba, o seu minarete inclinado", declarou o general Abdulamir Yarallah num comunicado.
A mesquita agora destruída devia o seu nome a Nouredine Al-Zinki, o unificador da Síria, que reinou igualmente durante algum tempo sobre a região de Mossul, onde ordenou a construção da mesquita em 1172.
Trata-se de um predecessor de Saladino e um herói da resistência contra as Cruzadas, à qual associou pela primeira vez a noção de jiade ou guerra santa, uma retórica que é muito usada pelos jiadistas do Estado islâmico, que apodam com frequência todos os ocidentais de "cruzados". ... ...

Le Monde.fr com AFP, AP e Reuters, 21/06/2017, 22H16

Porquê tanta preocupação, perguntará você. Porque a Charola templária, a velha igreja património mundial, com mais de 800 anos, lá em cima no castelo, é um monumento dos cruzados. O próprio Gualdim Pais, seu fundador, foi cruzado e combateu na Palestina, segundo reza uma lápide colocada por cima da porta da capela de S. Jorge.
Porque nem a Charola nem o Convento dispõem de qualquer protecção ou sistema de detecção de explosivos.
Porque, pela sua maneira de pensar e de agir, os terroristas jiadistas vivem ainda em plena idade média.
Já percebeu agora? Então mexa-se. Faça alguma coisa. Pelo menos proteste, reclame, refile. Seja cidadão.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Sondagem sobre mural "Velhos do Restelo"

Larga maioria favorável ao desaparecimento do grafito

Terminou a sondagem àcerca do mural "Velhos do Restelo", que recolheu 73 opiniões. Dessas, 46 = 63% pronunciaram-se a favor da remoção do grafito. Outras 12 = 16% preferiram a substituição do mesmo. Somando os dois grupos, obtém-se um total de 58 votos = 79% que não concordam com aquela pintura mural naquele sítio. Apenas 15 votantes =  20% se inclinou para a manutenção ou para a indiferença face ao referido quadro.
É claro que não se trata de uma sondagem representativa da opinião pública tomarense. Se calhar nem sequer dos leitores de Tomar a dianteira 3. Mas é, sem contestação possível, a opinião mais fundamentada disponível nesta altura. Usando outras palavras: Sabemos neste caso quantos por cento pensam o quê. Os outros nem sequer isso sabem. Apenas podem avançar com a sua própria opinião. E uma opinião contra 58 não terá decerto grande peso.
Resta portanto aos senhores autarcas mandar apagar aquilo logo que possível. Sob pena de os tomarenses começarem a pensar que os eleitos locais afinal se estão marimbando para a população. O que em ano eleitoral pode vir a revelar-se gravíssimo. Porque é a população que vota ou não vota...

AUTÁRQUICAS 2017

Ainda não votou, aqui ao lado? Então despache-se que acaba esta tarde.

Mau começo de pré-campanha

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Foto António Freitas
Mau começo de pré-campanha para as duas principais candidaturas. Após ter adoptado aquele lema "Acreditar em Tomar", que vale o que vale, Luís Boavida não foi feliz na escolha do fotógrafo. Ou não tem jeito mesmo nenhum para posar, o que não deve ser o caso, uma vez que faz teatro. Certo, mesmo certo é que a foto de pré-campanha está uma lástima. Ficou com um ar de arrependido por ter bebido uns copos a mais. É o que mostra aquele olhar turvo, na minha opinião. (Sem qualquer intuito de ofender ou tentar achincalhar. Apenas procurando com toda a franqueza ajudar a remediar.)
Igualmente com pouca sorte, Anabela Freitas acaba de endereçar aos tomarenses um desdobrável de propaganda mal paginado. A segunda página afinal é a última, que para maior desastre está de patas para o ar. (ver ilustração). Isto quanto à forma. Quanto ao fundo, trata-se de uma resenha do trabalho realizado, que se enquadra todo ele no mero "despacho de assuntos correntes". A linguagem é escorreita, porém sem rasgo nem traços de originalidade, assim estilo a despachar o assunto.


Notei um pequeno parágrafo corajoso, sincero e frontal, que me agradou: "Cometi erros, naturalmente. Um ou dois que bem conhecem e que assumi e resolvi. Só quem não faz não erra, e quem não erra não aprende. Mas com alguns erros cometidos e ultrapassados, estamos hoje num trilho seguro nos vários domínios em que nos empenhamos. Queremos fazer muito mais."
Reparei também numa mal dissimulada "bicada" no seu principal adversário, que lhe pode vir a custar alguns votos: "Tomámos decisões difíceis, começando logo no arrumar da casa, para descontentamento de alguns que perderam privilégios."
Terminada e meditada a leitura do documento, fica a ideia de mediania, de algo sem golpe de asa, próprio de aves que não são, nem ambicionam vir a ser de altos voos. O que é pena, até porque Tomar a dianteira 3 sabe ter Anabela Freitas em seu poder alguns elementos que podem permitir elaborar um programa ambicioso, robusto e adequado para o concelho, assente designadamente na área do turismo cultural e seus contributos para a economia local.. Oxalá os queira e saiba usar, pois com as ideias avançadas até agora, nomeadamente nesta mensagem postal, não parece que possa vencer.
Em França, Macron acaba de ganhar largamente, com a sua formação de apenas 16 meses "A República em movimento", destroçando os socialistas até agora maioritários. Aqui em Tomar, o PS está instalado e parado. Como estava o PS em França.

Se ainda há alguma dúvida

A sondagem sobre o mural "Os velhos do Restelo", aqui ao lado, termina esta tarde. Já votou?

Eleições autárquicas de 2013
Percentagem de votos brancos e nulos no Concelho de Tomar

Freguesias                                            Câmara                   Assembleia de Freguesia

Além da Ribeira/Pedreira (PSD)           9,02%                             4,84%
Asseiceira  (PSD)                                 7,55%                             6,88%
Carregueiros (PSD)                              6,58%                             5,78%
Casais/Alviobeira (PSD)                     10,94%                           10,88%
Madalena/Beselga (PS)                       10,15%                             8,60%
Olalhas  (PSD                                     10,46%                            11,02%
Paialvo  (CDU)                                      7,78%                              5,48%  
Sabacheira  (PS)                                   6,29%                              4,75%
Serra/Junceira   (I)                                9,63%                              5,66%
S. João/Santa Maria (PS)                      9,19%                               9,80%
S. Pedro   (PSD)                                   6,98%                               5,56%

Fonte: MAI, Resultados oficiais das autárquicas de 2013

Se ainda há alguma dúvida na sequência da análise anterior, o quadro supra permite dissipá-la. Nele podemos constatar a diferença entre a percentagem de votos brancos e nulos para a eleição da Câmara e para a da Assembleia de Freguesia. Partindo do princípio antes explicitado, segundo o qual mais informação = menos votos brancos e nulos, acrescenta-se agora que regra geral cada eleitor, como é lógico, sobretudo na área rural, sabe mais da sua freguesia que do concelho ao qual pertence.
Os dados oficiais confirmam que assim acontece. Nas últimas autárquicas, apenas em duas freguesias a percentagem de brancos e nulos foi ligeiramente superior para as respectivas assembleias. Trata-se de Casais/Alviobeira e de S. João/Santa Maria, que é sobretudo urbana. Em todas as outras, os eleitores meteram mais votos brancos e nulos nas urnas para a Câmara, naturalmente por estarem mais bem informados sobre os candidatos da sua freguesia.
Convirá acrescentar que, somando separadamente os votos brancos e nulos nas freguesias PSD e PS, atribuindo depois a cada partido metade desses votos na freguesia urbana, dado o quase empate, e nas outras duas, uma independente, outra da CDU, obtêm-se 942 brancos e nulos para o PSD e 833 para o PS. Uma diferença de 109, num total de 1.775 votos brancos e nulos, o que corresponde a mais 6,12% de brancos e nulos nos eleitores PSD.
Ninharias, dirão os usuais especialistas de café, neste caso cheios de razão. Trata-se efectivamente de ninharias eleitorais. Que todavia se tornam importantes, e se calhar até fundamentais, quando se tem presente que o PS ganhou por uma diferença de apenas 281 votos = a 1,41%. Se os quase dois mil votos brancos e nulos tivessem sido desigualmente repartidos entre as duas formações, qual seria o resultado final?

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Informação, votos brancos e votos nulos

                     Já votou aqui ao lado? Olhe que o prazo termina dentro de algumas horas...                                                     


 VOTOS BRANCOS E NULOS

Freguesias                                            2013                      2016

Além da Ribeira/Pedreira.................... 9.02%....................3,64%
Asseiceira..........................................7,55%....................2,28%
Carregueiros.......................................6,58%....................2,64%
Casais/Alviobeira..............................10,94%...................3,64%
Madalena/Beselga.............................10,15%...................2,25%
Olalhas.............................................10,46%...................2,46%
Paialvo...............................................7,78%....................1,80%
Sabacheira.........................................6,29%....................1,24%
Serra/Junceira....................................9,63%....................3,11%
S. João/Santa Maria...........................9,19%....................2,67%
S. Pedro............................................6,98%....................3,23%

A peça anterior, de ontem, noticiou o muito elevado incremento dos votos brancos e nulos nas recentes legislativas francesas, fazendo-se depois a ligação com aquilo que poderá vir a ocorrer em Tomar. É óbvio que os eleitores que optam pelo voto branco ou nulo o fazem ou por vingança (o que será relativamente raro), ou quase sempre por nítida falta de informação. Pretendem votar, porém não sabem em que candidato, na ausência de elementos de apreciação. Pode-se portanto afirmar que a percentagem de votos brancos e nulos aumenta em sentido inverso à informação dos eleitores. Quanto mais informação adequada ao eleitorado, menos votos brancos e nulos.
Uma vez que grande parte dos candidatos tem dificuldades, tanto na comunicação escrita como na oral e no concomitante suporte técnico, não espanta que procurem sacudir a água do capote respectivo, negando tanto quanto possível a óbvia relação falta de informação = voto branco ou nulo. Se o não fizessem, estariam obrigados a produzir informação bastante para suprir o actual vazio, por demais evidente. Assim, negando ou fingindo ignorar, pode ser que não venha a ser preciso.
O quadro supra, elaborado a partir do dados oficiais do MAI e da CNE, não permite dúvidas. Entre as autárquicas de 2013 e as presidenciais de 2016, no concelho de Tomar a percentagem de votos brancos e nulos veio por aí abaixo. Das três freguesias que em 2013 registaram mais de 10% de brancos e nulos,  só Casais/Alviobeira ultrapassou em 2016 os 3,5%, sendo acompanhada por Além da Ribeira/Pedreira, que em 2013 chegou aos 9,02%.  A grande maioria teve taxas inferiores a 3%.
Em conclusão, o citado quadro mostra claramente que os candidatos são os grandes responsáveis pelo aumento da taxa de votos brancos e nulos, ao não fornecerem aos eleitores informação fidedigna, atempada e completa, lacuna suprida nas presidenciais pelos tempos de antena na TV. Assim sendo, se  nas próximas autárquicas o desastre se repetir, e os candidatos vierem a verificar que foram afinal os grandes prejudicados, só terão de se queixar de si próprios.